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Eco Watts
EcoWatts é um estudo de caso de UX/UI que reimagina a experiência da conta de luz. O projeto transforma dados complexos em informações claras, permitindo acompanhar o consumo e incentivar hábitos mais conscientes por meio de uma interface intuitiva.
Sobre o projeto
O EcoWatts foi desenvolvido para atender a uma necessidade crescente: a de controlar e otimizar o consumo de energia elétrica. Em um contexto em que a sustentabilidade e a economia são cada vez mais importantes, o aplicativo oferece aos usuários uma forma fácil e acessível de monitorar suas contas de energia, com dicas práticas para reduzir o consumo.
O EcoWatts oferece uma análise detalhada dos gastos mensais, além de comparativos que mostram como o uso de energia varia de mês para mês. Nosso objetivo foi criar uma ferramenta que ajudasse as pessoas a terem mais controle sobre seus gastos e, ao mesmo tempo, contribuíssem para um consumo energético mais consciente.
Problema a ser solucionado
O consumo de energia elétrica tem se tornado uma preocupação crescente, tanto para questões financeiras quanto para a sustentabilidade. Muitos usuários não têm uma forma clara de acompanhar quanto estão gastando, nem recebem orientações práticas para reduzir o consumo. Além disso, informações sobre energia muitas vezes são apresentadas de maneira complexa, difícil de interpretar, gerando frustração.
O desafio do EcoWatts foi, portanto, criar uma ferramenta que tornasse o monitoramento de energia acessível e intuitivo, ajudando os usuários a entenderem seus hábitos de consumo e tomar decisões mais conscientes, sem sobrecarregá-los com dados técnicos ou complicados.
Explorando a experiência
O processo criativo do EcoWatts começou a partir de uma observação simples: para a maioria das pessoas, a conta de energia é algo que só recebe atenção quando o valor vem mais alto do que o esperado. Nesse momento, surgem dúvidas, frustrações e a sensação de falta de controle. O desafio, então, era pensar em uma experiência que ajudasse o usuário antes desse problema acontecer.
O primeiro passo foi entender como os usuários se relacionam com o consumo de energia no dia a dia. Em vez de partir diretamente para soluções visuais, o foco inicial foi refletir sobre o comportamento: Quando o usuário percebe que está gastando mais? Que tipo de informação ele consegue interpretar com facilidade? O que realmente o motiva a mudar um hábito?
Com essas reflexões, algumas perguntas passaram a guiar as decisões de design:

A partir disso, foram exploradas diferentes possibilidades por meio de sketches e wireframes iniciais. Essa etapa foi marcada por experimentação e refinamento, testando variações de hierarquia da informação, visualização de dados e linguagem visual. Muitas ideias foram descartadas por adicionarem complexidade desnecessária, reforçando a importância da simplicidade.
Ao longo desse processo, ficou claro que o EcoWatts não deveria funcionar como um painel técnico, mas como um guia para o usuário. Comparativos mensais, por exemplo, passaram a ser pensados como uma forma de contar a história do consumo ao longo do tempo, ajudando o usuário a identificar padrões e compreender seu próprio comportamento.
Esse processo foi essencial para consolidar o conceito do EcoWatts como uma ferramenta que traduz dados complexos em insights claros, promovendo controle, consciência e autonomia no consumo de energia.
Pesquisa e descobertas
Para fundamentar as decisões de design, o processo partiu de uma etapa de imersão no problema. Foram conduzidas oito entrevistas em profundidade com pessoas responsáveis pela conta de energia em casa, complementadas por uma pesquisa quantitativa com 52 respondentes. O objetivo era entender como as pessoas se relacionam com o consumo de energia no dia a dia, quais informações realmente importam para elas e em que momentos a experiência atual gera frustração.
A análise revelou um padrão consistente: a conta de luz é vivida de forma reativa. O usuário só toma conhecimento do quanto gastou quando a fatura chega e, quando chega, ela é difícil de interpretar. Faltam acompanhamento contínuo ao longo do mês, contexto sobre o que está sendo pago e orientação prática sobre como reduzir o consumo. Foi nesse vazio entre o dado e a ação que o EcoWatts se posicionou.

As personas que guiaram o projeto
A análise da pesquisa revelou dois perfis complementares de usuário. Em vez de uma única persona, o projeto passou a equilibrar necessidades distintas: de um lado, quem busca controle e previsibilidade; de outro, quem busca economia e simplicidade. Cada decisão de produto foi pensada para atender aos dois.

Mapa de empatia
Para aprofundar a compreensão das duas personas, foi construído um mapa de empatia para cada uma. Olhar para o que elas dizem, pensam, fazem e sentem ajudou a transformar dados em comportamento e a manter o time conectado às pessoas por trás dos números.


Certezas, suposições e dúvidas
Para alinhar o time e separar o que era fato do que precisava ser validado, o conhecimento sobre o problema foi organizado em uma matriz CSD. O exercício deu foco à pesquisa: as certezas embasaram decisões, as suposições viraram hipóteses de teste e as dúvidas guiaram as próximas investigações.

Análise de concorrentes
Para situar o EcoWatts no mercado, foram analisados os principais aplicativos de energia usados no dia a dia em Minas Gerais e no Brasil: Cemig Atende, Enel e CPFL Energia. Todos resolvem bem o básico, consultar a fatura, ver o histórico de consumo e pagar via Pix, mas foram construídos a partir da lógica da concessionária, e não da experiência de quem consome. É nessa distância que o EcoWatts se posiciona.

As distribuidoras são fortes em serviço e cobrança, mas o acompanhamento em tempo real depende de medidor inteligente, a previsão de gasto é limitada e praticamente não há orientação personalizada de economia. O EcoWatts parte do consumidor: une acompanhamento contínuo, projeção da fatura e dicas práticas, transformando dado em ação.
A jornada do usuário
Para garantir que a solução respondesse à experiência completa, e não apenas a telas isoladas, o consumo de energia foi mapeado como uma jornada. O exercício evidenciou os momentos de maior atrito e mostrou como o EcoWatts poderia transformar a relação do usuário com a conta de luz: de uma frustração mensal para uma sensação crescente de controle.

Arquitetura da informação
A estrutura do app foi organizada para que cada tarefa principal estivesse a, no máximo, dois toques de distância. A entrada é guiada por onboarding e autenticação; já dentro do produto, quatro áreas concentram toda a navegação , Início, Consumo, Fatura e Perfil, refletindo diretamente os objetivos mapeados na pesquisa.

Essa hierarquia plana reduz a sensação de complexidade e coloca as ações mais frequentes, ver consumo e pagar a fatura sempre ao alcance, reforçando a percepção de controle que guia toda a experiência.


A solução na prática
Cada decisão de interface nasceu de uma pergunta da fase de exploração e de uma necessidade concreta das personas. A experiência foi organizada em quatro momentos que conduzem o usuário do primeiro contato até a ação de economizar: a chegada, o acompanhamento, o pagamento e o aprendizado. A seguir, cada momento é apresentado com as telas finais e as decisões que as sustentam.
01 · Primeiro contato: um onboarding que explica o porquê
Antes de pedir qualquer dado, o app responde à pergunta mais importante do novo usuário: “por que isso vale a minha atenção?”. Três telas curtas apresentam a proposta de valor, controlar o consumo, visualizar gastos e economizar usando ilustrações e uma linguagem leve. Ao mostrar o benefício antes do cadastro, o atrito inicial cai e o usuário entra no produto já entendendo o que vai ganhar.

02 · Acompanhamento: visibilidade contínua, sem surpresas
Respondendo diretamente à frustração da Marina, a tela inicial transforma a conta de luz em um painel vivo: fatura em aberto, consumo do período e economia acumulada aparecem logo de cara. O dashboard de consumo aprofunda essa leitura com gráficos de tendência e comparativos entre semestres, contando a história do consumo da casa em vez de apenas exibir números.

03 · Pagamento: uma fatura que se explica sozinha
A fatura foi redesenhada para responder à dor de “não entender a conta”. O valor, o vencimento e o consumo do período ganham o maior peso visual; os dados técnicos de instalação permanecem disponíveis, porém discretos. O pagamento acontece em um único toque pelo botão “Baixar Boleto”, e o histórico por mês permite revisar faturas anteriores sem trocar de tela.

04 · Aprendizado: conteúdo que vira economia
Para atender ao Sérgio, que quer saber “o que fazer para pagar menos”, o EcoWatts vai além dos dados. A seção “Descubra mais” reúne conteúdos práticos sobre redução de consumo, em linguagem acessível e conectada ao comportamento real do usuário. É o elo que fecha o ciclo entre o dado e a ação e transforma o app de um painel passivo em um parceiro ativo de economia.

Teste de usabilidade
Para validar as hipóteses centrais, o protótipo navegável foi submetido a um teste de usabilidade moderado com cinco participantes, representando os dois perfis de persona. Cada pessoa executou tarefas reais, localizar o consumo do mês, interpretar a fatura e encontrar uma dica de economia, enquanto verbalizava suas impressões em voz alta.

Principais achados
A leitura dos gráficos foi intuitiva. Todos os participantes interpretaram a tendência de consumo sem qualquer orientação. O rótulo “Você gastaria” gerou dúvida. A expressão foi reescrita para deixar mais claro que se trata de uma projeção sem o app. Dois usuários buscaram o boleto na Home. O acesso ao pagamento foi reforçado, reduzindo o caminho até a fatura.
Ajustes aplicados após o teste
Microcopy da fatura revisado para eliminar termos ambíguos e aproximar a linguagem do usuário. Atalho de pagamento incluído na tela inicial, atendendo ao comportamento observado. Contraste de rótulos ajustado nos indicadores para melhorar a legibilidade.
Resultados e aprendizados
Por ser um projeto conceitual, o EcoWatts não passou por métricas em produção, mas entregou uma base sólida e pronta para validação. Ao final do processo, o conceito se materializou em um produto coeso, do primeiro acesso à ação de economizar, sustentado por um sistema de design reutilizável.

O passo natural seria submeter o protótipo a testes de usabilidade, medindo a facilidade de leitura dos gráficos, a clareza da fatura e a percepção de controle sobre o consumo, as três hipóteses centrais do projeto.
Aprendizados
Definir o problema antes da interface. Investir tempo na compreensão do contexto evitou retrabalho e manteve cada decisão de tela ancorada em uma necessidade real. Um design system economiza tempo e garante consistência. Centralizar cores, tipografia e componentes acelerou a construção das telas e deu unidade visual ao produto. Conteúdo é parte da experiência, não enfeite. Tratar as dicas de economia como funcionalidade foi o que conectou o dado à mudança de comportamento. Clareza vence densidade. Em um produto sobre dados, a tentação é mostrar tudo; o valor real esteve em decidir o que omitir.
Próximos passos
Testes de usabilidade com 5 a 8 usuários para validar as hipóteses centrais. Acessibilidade revisar contraste e alvos de toque para conformidade com o nível WCAG AA. Metas de economia prototipar a funcionalidade sugerida durante a ideação. Notificações inteligentes alertas baseados em picos de consumo ao longo do mês.